domingo, 9 de setembro de 2012

O amor é uma gramática



O amor é uma gramática

O amor é uma gramática. Ele coloca em nossa vida um sujeito indeterminado que sai de um lugar comum e vai se transformando em um substantivo próprio. Com o passar do tempo, essa pessoa vai se tornando, aos poucos,  um sujeito determinado simples. Ele vai vivendo ao nosso lado tantos momentos bons que pensamos que o tal, foi determinado para nos fazer felizes. A alegria é tanta que chegamos ao ponto de pensar que a felicidade é um substantivo concreto e composto de inúmeros dias de contentamentos.
Conforme o tempo vai passando, descobrimos coisas. A pessoa não se mostra mais. Vai se ocultando e se transforma em sujeito oculto. Isso tudo se dá porque descobrimos que as palavras ditas eram, na verdade, substantivos abstratos. É aí que nossa vida se transforma e passa a ser uma oração com o sujeito inexistente.

Jorge Luiz Borges Vieira